Daniel Santos' Blog

Dom Quixote de La Mancha

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A história do engenhoso fidalgo Dom Quixote e de seu fiel escudeiro Sancho Pança conquista leitores geração após geração. O clássico de Miguel de Cervantes é considerado o expoente máximo da literatura espanhola e, em 2002, foi eleito por uma comissão de escritores de 54 países o melhor livro de ficção de todos os tempos. Em homenagem aos 400 anos de morte de Miguel de Cervantes, a Nova Fronteira traz ao público esta edição especial, com a obra integral em dois volumes. O texto de Cervantes é acompanhado das belíssimas ilustrações do francês Gustave Doré, um dos mais fantásticos artistas do século XIX.

A descrição acima, retirada diretamente da edição de “Dom Quixote de La Mancha” que eu escolhi para ler, publicada pela editora Nova Fronteira, resume bem o que a obra é: um clássico atemporal, que eu sempre tive vontade de ler, mas do qual eu honestamente nunca soube o que esperar.

Este verdadeiro calhamaço, compreendendo 1591 páginas divididas em dois volumes, pode ser intimidador, pelo simples fato de que a obra, publicada pela primeira vez no longínquo ano de 1605, possui diversas traduções disponíveis, algumas de mais fácil entendimento do que outras. A edição da Nova Fronteira, traduzida por Almir de Andrade e Milton Amado, me pareceu conter a mescla correta de prosa moderna com palavras mais antigas (e rebuscadas). Concentrando-me bem na leitura, a experiência é super positiva, além de enriquecedora.

Ah, e é uma leitura engraçada, também. Claro que sem os exageros da comédia da inesquecível esquete de Chespirito onde Sancho Pança e seu amo Quixote chegam a uma estalagem — na América do Sul — e se encontram com formosas damas, mas muito divertida mesmo assim.

E a escrita única? Eu nunca imaginei que uma obra do século XVII fosse dotada de um estilo de escrita deste tipo: Miguel de Cervantes, autor do livro, é tido como o inventor (ou um dos inventores) da chamada narrativa metaficcional, onde os personagens são conscientes da história que está se passando e conversam não apenas com o narrador da história, mas também com o leitor. Ele consegue, além da comédia, trazer tragédia, romance e sátira para o livro, com personagens profundos e com personalidades próprias, tudo em uma grande crítica à sociedade da época, indo desde o exagerado consumo de livros de cavalaria, muito populares e predominantes na Espanha da época, até a abordagem de questões como a loucura, a razão e a condição humana.

Comecei a leitura em outubro, no dia 13, e estou seguindo meu ritmo: aproveitando para saborear este grande clássico.

#lendo #livros